segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ploft

Isso tá cheirando a mofo! Hora de tirar a poeira e as teias de aranha.


A Lua estava fascinante. Mais do que na noite anterior. Por trás da igreja ela não passava despercebida. Mas aquele tom de mistério era um claro aviso do porvir. Todo aquele dia foi um daqueles extremamente corriqueiros e comuns para acabar despercebido. Antes da tempestade vem a calmaria(!), já diria um outro. Ultimamente as ruas estavam me parecendo tão confortáveis e seguras. As vezes os perigos na esquina são menos ameaçadores do os que (não) se escondem na sua própria sala. Fui atacado. Não por ursos, lobos, exércitos ou bandidos na esquina.

A certa altura na cronologia da fugaz vida de um indivíduo humano surgem verdades absolutas forjadas sob a alcunha de “sabedoria”, até mesmo as verdades vindas de um passado distante ao ponto de ñ se ouvir mais de qual voz saiu. “Será que foi naquele jornal? Ou foi lá na igreja? Eita...”. E daquelas bocas tão amadas e admiradas saíram flechas de preconceito, ignorância, amargura, autoritarismo. Não faz tempo eu pulei de bung-jump, agora eu caí.

Diante de um corpo que não obedecia, o melhor era manter a boca fechada. “Depois eu falo.”. Por enquanto eu só escrevo. E leio, vejo, penso, penso, penso... Era uma questão de tempo, eu sabia. Mas o tempo não tem sido lá muito meu amigo ultimamente. Bom mesmo era pegar o controle e dar pause. Por enquanto vou me resguardar nas ruas, ou no meu quarto mesmo. O certo é que vou evitar a sala. O foda é saber que não havia culpados dentro daquela sala. De ambos os lados, não havia culpados. Os culpados, aliás, dariam gargalhadas de situações como essa. Bem, lembrem-se: é só mais um drama juvenil. Mas, em todo caso, creiam nos sinais da Lua!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Contagem regressiva

11 de junho de 2010, Johanesburgo, África do Sul, tá chegando a hora. 32 seleções de todos os continentes, 736 jogadores, bilhões de espectadores, um fenômeno de mídia. Quando o juiz der a partida e a bola rolar no centro do gramado do Soccer City, entre os donos da casa e o México, terá início o maior espetáculo da Terra. Após quatro longos anos, será dada a largada para a 19° Copa do Mundo de Futebol.

Copa do Mundo, palco para apresentação de verdadeiros artistas. Cenário que consagra, que transforma homens em mitos, que transfigura meros mortais em semideuses. Tapete verde por onde desfilaram homens que encantaram o mundo, que assustaram, que alegraram, que escreveram, com mãos e pés, seus nomes na história. Pelé, Garrinha, Maradona, Di Estefano, Puskas, Cruyff, Beckenbauer, Lev Yashin, Ademir Menezes, Fontaine, Bobby Charlton, Müller, Platini, Rivellino, Tostão, Falcão, Dino Zoff, Eusébio, Zidane, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Taffarel, Gordon Banks...

Copa do Mundo é lugar onde os grandes são tantos que até os perdedores tem direito à glória. Como não ser louco pela Holanda vice-campeã de 74 ante a Alemanha? Como não bater palmas para o Brasil eliminado precocemente em 82 pela campeã Itália? É onde partidas viram batalhas, guerras declaradas, em que os rivais, frente a frente, lutam com todas as forças, traçam estratégias, atacam, recuam, cercam, entrincheiram. Quisera Jah que todos os conflitos mundo afora fossem resolvidos num campo de futebol, ao invés de no campo de guerra.

Copa do Mundo mexe com a gente. O gol é mais comemorado, o drible é mais bonito, a defesa do goleiro é mais fantástica, a bola na trave é mais angustiante, o apito final é mais festejado, ou mais sofrível. Todo mundo vira especialista, todo mundo dá pitaco, todo mundo veste camisa, todo mundo pára. Televisão vira objeto de adoração, verdadeiro altar no meio da sala. Até Eslovênia x Argélia se torna um programa interessantíssimo pro domingão.

Copa do Mundo é sim futebol, mas não é só isso. É a confraternização, a reunião em família, é o encontro com os amigos, o churrascão, a cerveja gelada, o grito, o choro, o abraço, a emoção, o orgulho, é bater no peito e dizer: “esse é meu país, porra!”, seja em qual língua for. É o cano de escape pra monotonia rotineira, é a casa pintada, o carro pintado, a rua pintada, você pintado!

Copa do Mundo na África. Berço da humanidade, berço da civilização, berço do ritmo, da alegria. Continente cobiçado, usurpado, massacrado, abandonado pelos homens e pelo criador. A África já perdeu muitas riquezas, já perdeu muito da sua fauna, da sua flora, mas não perdeu aquilo que lhe dá sustança, o que tem de melhor, o povo. Povo guerreiro, multiétnico, alegre, vibrante, destemido, assim como o futebol, assim como os grandes homens do futebol. A Copa não vai ser só futebol para os africanos. Vai ser a chance de unir um povo desigual, brancos e negros, ricos e pobres, a chance de mostrar para o mundo quão fundamental é seu continente, a chance de serem aplaudidos de pé pelo mundo.

Podem me criticar o quanto quiserem, mas eu não quero mais saber de eleição, de crise econômica, de aquecimento global, de urânio, de Faixa de Gaza ou da porra da faculdade. Durante 30 dias eu quero acordar futebol, dormir futebol, comer futebol, transpirar futebol, respirar futebol, viver futebol! Chegou a hora de o futebol reinar no mundo e de seus súditos se curvarem diante de seu poder.

Divirtam-se! E rumo ao hexa, Brasil!


Que a Copa lhes seja leve.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O segredo de Lost

Embarcamos em Sydney junto com todos os outros passageiros do Oceanic 185 rumo à Los Angeles, mesmo sabendo que nosso destino era outro. Embarcamos só em busca de mais uma diversão, de um passatempo, de aventuras, de mistérios a serem desvendados, de adrenalina, mas aquela não era mais uma viagem qualquer de férias. Uns entraram mais afoitos, ansiosos pela chegada e pelo que lhes aguardava – fosse o que fosse -, outros mais desconfiados, alguns outros um pouco tensos – surpresas (ou altura) não lhes agrada -, ainda tinham os despreocupados, que só queriam curtir a viagem e ver no que dava, tinham também os chatos, os confiantes, enfim, tudo que geralmente se encontra num voo habitual. Mas no momento em que aquele médico de nome bíblico abriu os olhos em plena uma ilha “deserta” no meio do Pacífico ficou claro que havia algo maior naquilo tudo, maior e mais denso do que podia imaginar-se, talvez não para maioria, assim como para o Dr. Jack, mas isso era só uma questão de tempo. Estava começando ali, diante dos nossos olhos, o maior feito televisivo já criado.

A partir daquele momento, toda aquela ilha fantástica, seus personagens e mistérios passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas mundo afora, até das que nem curtiam toda aquela baboseira(!). No intervalo da aula, no cafezinho da empresa, na mesa do bar, na saída da igreja, na recepção do dentista, entre um papo sobre futebol e sobre o futuro sócio-político-econômico do Brasil no mundo pós-moderno, sempre surgia uma história sobre o tal monstro-da-fumaça, sobre “os outros”, sobre o urso-polar, e mais e mais teorias, atormentando a vida dos não-fãs durante longos seis anos.

Mas qual o segredo por trás de Lost? O que fez de mais uma série enlatada americana um sucesso tão retumbante? Um dos motivos foi a, já comentada no post anterior, esperteza da galera em perceber os rumos que se desenhavam no mundo virtual e, juntamente com os fãs, criar novas formas de interação, numa bela estratégia de marketing. Mas só isso não seria capaz de tonar a série em uma sensação. A parada tinha que ser boa mesmo! E é aí que entram em cena J. J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse, os homens por trás de Lost.

Donos de uma cabecinha privilegiada, essas três figuras criaram a tal fórmula mágica para o sucesso da série. Mais do que saberem escrever muito bem, esse caras sabem o que o público quer ver - mesmo que nem o próprio público saiba direito. Além disso, por incrível que pareça, eles tinham tudo pronto (pelo menos na cabeça) desde o início. Todas as aparentes loucuras, todos os diversos caminhos que a série tomou, todas as idas e vindas, tudo tinha um sentido desde o começo e, no final ficou claro, ele juntaram todas as pontas e nos convenceram que não era na base do improviso não, merecendo elogios até de George Lucas (Star Wars), que confessou não ter essa mesma capacidade.

Eu podia perder meu tempo aqui falando das teorias da comunicação, da semiótica, e todo papo furado acadêmico que está implícito na série, mas eu nem ia desenrolar nem valeria a pena, então vamos ao que mais interessa. Um dos trunfos de Lost está nas perguntas. São as perguntas que movem o homem, e não as respostas. Foi assim com os habitantes da ilha e conosco, espectadores, todos movidos pelas mesmas perguntas, vindos do mesmo avião e agora todos no mesmo barco. Com essa tática a série satisfez o cara que senta na frente da TV, assiste um episódio e vai embora satisfeito e fez a festa de quem procurava algo mais, porque, pro verdadeiro aficionado por Lost, assistir um episódio é só o primeiro passo, depois vem a odisséia em busca de respostas, e aí haja Wikipedia, livro, blog, fórum, podcast... e tempo!

Pesquisa vai, teoria vem, e lá estávamos nós metidos numa verdadeira suruba de conhecimentos, dentre os quais: física - teorias de Michael Faraday (através de Daniel Faraday), teorias de Stephen Hawking e seu livro Uma breve História do Tempo (através de Heloise Hawking), teorias da física moderna, viagens no tempo, buraco de minhoca, eletromagnetismo; filosofia – o nome de diversos personagens ligados explicitamente à grandes pensadores (do quilate de John Locke, Edmund Burk, Jean-Jaques Russeau, David Hume, Mikhail Bakunin, Thomas Carlyle, Anthony Cooper, Jeremy Bentham, Edward Said), personagens esses que traziam consigo as teorias dos seus xarás, além do aparecimento de outras teorias como as de Sartre e René Descartes; religião - budismo, cristianismo, taoísmo, islamismo, hinduísmo, espiritismo, discordianismo, shamanismo, cultos aborígenes, mitogias egípcia, suméria e grega; temas literários - Alice no país das maravilhas, O Mágico de Oz, The Watchmen, A Wrinkle in Time, Jules Verner; psicologia; sociologia; além de termos um tanto novos, como flash-back, flash-forward e flash-sideway. Mistura digna de deixar com inveja qualquer tropicalista e deixar regozijante todo nerd da face da Terra, que viu gente como eu perdida e fascinada por esse mundo digno da melhor ficção científica.

Apesar de toda essa perspicaz doidera com a qual os cabeçudos senhores dessa série nos confrontaram, a grande sacada de Lost está no fato de que o seu foco, o seu núcleo, seu propósito, está nas pessoas, algo tão simples e tão profundo: o ser humano e tudo que lhe envolve. Os embates entre bem x mal, preto x branco, razão x fé, livre arbítrio x destino, tudo com o que nos deparamos durante a vida, que temos em nosso interior, que procuramos separar, sem se dar conta que um lado não existe sem o outro, ambos se completam, ambos são necessários e eternos. Não foi difícil se identificar com as aflições das personagens, suas angústias, decepções, erros, a busca pela felicidade, pela mudança, pelo “renascimento” como homem, premissa fundamental para ser o escolhido. Nos vimos no ceticismo de Jack, na fé cega de Locke, na malandragem de Sawer, na coragem de Sayid, na indecisão de Kate, no carisma do ‘dude’ Hurley, na lealdade de Richard, nas doideiras de Charlie, na determinação de Ben, na busca de Faraday, no amor de Sun e Jin, no equivalente amor - sentimento também fundamental para a trama - do ‘brotha’ Desmond e Penny (como não ficar atônito e se emocionar com o ep. ‘A constante’?), na certeza de Jacob e de seu irmão... todos eles eram um pouco de nós mesmos, erro após erro em busca do acerto.

Lost começou com o maior naipe de história de Julio Verner ou Indiana Jones, depois parecia que ia virar algo do tipo Star Wars ou Donnie Darko, mas acabou no melhor estilo tragédia grega ou Willian Shakespeare, realmente não dava pra ser melhor.

Na série a ilha ‘convocou’ os escolhidos para dar-lhes uma nova chance, para se confrontarem consigo mesmos (por isso olhar o próprio reflexo era um recurso muito repetido), se conhecerem e crescerem como pessoas, atingindo a tão buscada felicidade. Você aí, não precisa ir para uma ilha no meio do Pacífico pra tentar o mesmo.

Abra os olhos!

Nota: Esse texto foi feito antes do último episódio.



Lost mudou sua vida

Lost mudou sua vida! Isso mesmo, você que desistiu de assistir (entender?) logo na segunda temporada , você que assistiu aquele episódio no meio da terceira temporada e não entendeu nada, você que nunca viu sequer um episódio. Se você vive no mundo globalizado (lendo esse texto na net, provavelmente sim) Lost mudou sua vida. Como, indaga o estimado internauta e também o internetense*. Lembra-se como era a TV seis anos atrás? E a internet? Em seis anos muita coisa mudou, não?

Em seis anos nos vimos inseridos num tal de mundo 2.0 sem saber sequer que existia o 1.0; ficamos atordoados ante as erupções, terremotos e demais fenômenos digitais causados pela internet, que traziam em seu rastro novos conceitos, muitas vezes tão fugazes que nem tínhamos (temos) tempo de absorver; vimos o surgimento de um tal Youtube; vimos a convergência digital tornar-se um fato; vimos os prenúncios apocalípticos sobre o fim da televisão, e seu renascimento antes mesmo de sua morte; vimos o surgimento das novas mídias; vimos que estamos perdidos, e até nos jogamos, no meio desse furacão de mudanças via satélite que atravessam o globo e chegam em nossas telas. Mas, ao contrário de pouco tempo atrás, não ficamos sentados assistindo, passivamente, demos uma sopradinha e impulsionamos o furacão.

Seis anos, o exato tempo dessa famigerada série. E em se tratando de Lost, seria incongruente, absurdo, dizer que isso é apenas uma mera coincidência (Locke concordaria comigo). Lost, e seu sucesso, não foram apenas consequência dessas pequenas(?) revoluções, foram, em grande parte, sua causa. Foram uma verdadeira turbina ligada no meio do furacão (não resisti ao trocadalho). Seis anos atrás a onipresente televisão reinava absoluta. Você tinha que esperar meses para uma série chegar ao Brasil, assistia sentadinho em seu sofá, discutia os acontecimentos com seu vizinho e seu colega de classe e pronto. Foi por essa época que os fãs de Lost passaram a pôr os episódios na internet logo após sua exibição oficial, enquanto outros traduziam e espalhavam por aí em dezenas de línguas. Os mesmos fãs que depois passaram a transmitir ao vivo (via web) para o mundo inteiro e que utilizaram de todas as ferramentas possíveis para trocarem informações e discutirem virtualmente. Também foi por essa época, há seis anos, que os produtores e diretores, antes até que os fãs (e provavelmente inspirando-os), perceberam quão brilhante poderia ser a comunhão das plataformas de mídia e trouxeram de vez a televisão para a internet.

Tudo isso, que hoje parece tão rotineiro, tem em grande peso as mãos dessa série. Basta lembrar das várias reportagens que usavam Lost para contextualizar as revoluções digitais que ocorriam em plena primeira década do século XXI, afirmando que a série seria a principal causa do fim da televisão, pelo menos como conhecíamos. A televisão não acabou (e nem vai, pelo menos por um bom longo tempo), como alguns mais afoitos esperavam, mas a integração entre ela e a internet é cada vez mais visível e fundamental – principalmente para a primeira, que deve sua sobrevivência a essa integração.

Em seis anos Lost ajudou o mundo do entretenimento, da comunicação, da informação, a construir pontes e integrar as ilhas que somos cada um de nós. Chegou a hora desse mundo andar com suas próprias pernas. Assim como Locke, que não acreditava em coincidências.


*Aquele que, mais que navega, vive no mundo da internet.



quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dunga, o zangado

Tá feito. O comandante Dunga convocou os 23 homens responsáveis por representar o Brasil na grande batalha futebolística que se inicia dia 11 de junho, na África do Sul. E como de praxe, a lista parece não ter agradado nenhum dos 190 milhões de técnicos espalhados pelo país.

Comprometimento. Essa foi a palavra-chave da era Dunga nesses quatro anos, repetida a todo momento, inclusive hoje, durante a coletiva de imprensa. Nosso técnico defende a idéia de que só deve levar atletas comprometidos não só com o a equipe, mas com a “instituição” seleção brasileira, com a camisa, com o povo brasileiro.

O discurso é bonito e correto, eu compartilho dessa ideia, mas e a bola? Sim, e o futebol, mais do que isso, e o futebol brasileiro, esse que encanta o mundo desde os tempos do avô do Galvão, futebol que virou sinônimo de encanto, de arte, onde fica? Nossa seleção tem mais volantes do que casa lotérica (se me permitem a infame metáfora), mas na hora de armar jogadas o caldo engrossa. Cai tudo nas costas de Kaká, e se ele não render... aí lascou tudo, cumpádi!

Vou logo tratar das minhas discordâncias em relação a lista do professor. Primeiramente eu não gosto do futebol de Gilberto Silva, Josué e Elano, mas vou perdoá-los, são bons bancos, e Josué é Caruaru na copa! Uhuuu! Mas tem uma galerinha agora que eu vou tesourar sem dó! Primeiro: Doni. Uma puta sacanagem deixar Victor, que tá arrebentando no Grêmio, pra levar uma cara que é banco no seu time faz uma cara. Pulo a zaga que, cá pra nós, é um primor, e vamo direto pro nosso trágico meio-campo. Felipe Melo: Pesado, grosso, esquentado, tem um mau passe... tudo que não precisamos numa copa. Kléberson: de longe a maior piada da lista! O cara é banco do Flamengo, isso basta pra vocês? Porque não levar Toró que é o titular? Quem é o burro da história, o técnico do Mengo ou o Dunga? Julio Baptista: admiro-o. É um cara esforçado, raçudo, mas... TÁQUEPARIU! Se Kléberson é a grande piada, Júlio é a grade cagada aqui! O que nos resta é rezar, fazer figa, promessa, macumba, qualquer coisa pra que, até lá, Kaká esteja recuperado e voando, senão só Jah salva!

Pra não dizer que eu só acunhei o cacete no coitado, eu vou dar um real de moral ao Dunga: Adriano fora. Isso sim foi arretado! Afinal, comprometimento é o que mais falta ao imperador sem trono. Em contrapartida, Grafite tá batendo um bolão na Alemanha.

No fim faltou muita coisa nessa seleção. Faltou Ganso que tá voando como nenhum outro jogador brasileiro na atualidade. Faltou Hernanes pra dar mais qualidade ao meio. Faltou o cara que desequilibra, que encanta, que é a marca d’água do futebol tupiniquim. E as desculpas do nosso treinador não me entram. Ele entra em contradição, não compreende as discordâncias, se extressa com os jornalistas, fica querendo se explicar a todo custo, apela pro emocional, enfim, é desconfortante vê-lo se explicar se desculpando e culpando os outros.

Dunga sofre de Turronice aguda, mal que acomete os defensores do Cabeça-dura Futebol Clube. A cara feia, a vontade, a raça, o toco, a dividida, sempre foram suas marcas dentro das quatro linhas, e ele as levou para a beira do gramado. Não que o comprometimento não seja importante, ele é fundamental, mas pode se desenvolver durante a preparação, já a técnica, a qualidade, essas são mais difíceis. De que adianta levar jogadores “perebas” mas comprometidos? Será que o grupo terá tanta confiança quando olhar pro lado e vir, dentro de campo, um cara do naipe de Júlio Baptista? Acho difícil.

Dunga foi símbolo da geração de 90. Trouxe, junto com o auxiliar Jorginho, não só o espírito, mas também o tipo de futebol daquela equipe de 94 (ambos jogaram aquela copa). Tudo indica que esse time se comportará de forma bem parecida com aquele, e, pra você que não teve oportunidade de curtir 94, prepare-se, amigo. Faça check-up, compre o chá de camomila, o suquinho de maracujá e até a sua cinquentola, porque, como diria aquela praga: haja coração! Time retranqueiro, sem habilidade, poucos gols, final nos pênaltis, ufaaa... vai encarar? Pelo menos uma coisa boa 94 teve, no fim das contas a festa foi nossa. Então pode comprar também as grades de breja e preparar a festa, porque não?

Como disse o comentarista Léo Medrado, imagine que nosso objetivo é chegar em Caruaru. Bem, chegar lá nós vamos, nisso eu tenho fé, mas ao invés de ir pela BR-232, rapidinho, no conforto, vamos arrudiar por Campina Grande e esticar um pouco o caminho. E não se engane, jogando dessa forma, nós, brasileiros, podemos até ganhar, mas o futebol vai perder, e muito.

No mais, boa sorte pro Dunga, pra comissão técnica, pros convocados e pra nós tudim! Menos pro Júlio Baptista e pro Klebérson. Eu não nasci pra santo não, rapá! Daqui pra lá ainda tem tempo pra um estiramento, uma contratura, uma torsão...



terça-feira, 13 de abril de 2010

O dia em que a larica foi recheada de Bis

Me enche de orgulho ver essa juventude brasileira, uma galera de boa família, boa educação, todos acadêmicos, a elite cultural do país(!) em cenas como essa:



Bis, brenfa e brodage, ô cosita buena!


Só pra entender melhor: essa deliciante pegadinha do malandro foi uma ação realizada pela galera da Plano B Comunicação e rolou lá na UFPE e também em outras universidades por aí.

Como diria o poeta (e o adevogado de Caio): "Malandro é malandro, mané é mané."

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Morro do Bumba

No mundo lixo pra todo lado
Sobre o lixo os ratos no poder
Sob o lixo os homens nos escombros
Lama morro abaixo na favela
Lama morro acima no Congresso
Bueiro entupido
Lama por todo lado

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Rio de Janeiro continua sendo

Rio de Janeiro: chuva não, dilúvio! São as águas de março fechando o verão. Mas nós não estamos em abril?

Frente fria vinda do sul, umidade vinda do mar e bem na nossa frente as más ações, a má administração e o marasmo sufocante do dia-a-dia.

Rua que vira rio, Rio que vira mar. Maré alta, da altura dos impostos. Rua pros carros. Ruas, avenidas, travessas inundadas de carros. Um carro é um homem, sempre certo na contra-mão.

Ruas, estradas, carros, postos de combustíveis... todos boiando num mar negro de fósseis e o Cristo Redentor, braços abertos sobre o mar de lama. E no fla-flu entre homem e natureza, quem leva a melhor?

Redução de IPI, cheiro de carro novo, as inacabáveis parcelas... em quantas parcelas dividiremos nossa auto-destruição?

Consumir, comprar, gastar, ter. Porque você não comprou aquele bote inflável da Ford? Ou aquele colete salva-vidas da Armani? E as parcelas te consumindo pelo resto da vida!

Rio, cidade desespero, a vida é boa mas só vive quem não tem medo. Favelas, vistas por Euclides, cobrindo os morros do sertão nordestino, favelas cobrindo os morros cariocas. Sob a terra seca de Canudos e sob a lama do Rio corpos, homens, mulheres, crianças, não carros. Qual a nossa parcela de culpa?

Só rio de novo e eu não rio mais. Meus sentimentos por ti, São Sebastião do Rio de Janeiro. Como diria o sebastianista Antônio Conselheiro: “Adeus povo, adeus árvores, adeus campos. Aceitai minha despedida.


p.s: Trechos poéticos gentilmente roubados de Gilberto Gil, Tom Jobim, Marcelo D2, Renato Teixeira e Xangai.