quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Rio de Janeiro continua sendo

Rio de Janeiro: chuva não, dilúvio! São as águas de março fechando o verão. Mas nós não estamos em abril?

Frente fria vinda do sul, umidade vinda do mar e bem na nossa frente as más ações, a má administração e o marasmo sufocante do dia-a-dia.

Rua que vira rio, Rio que vira mar. Maré alta, da altura dos impostos. Rua pros carros. Ruas, avenidas, travessas inundadas de carros. Um carro é um homem, sempre certo na contra-mão.

Ruas, estradas, carros, postos de combustíveis... todos boiando num mar negro de fósseis e o Cristo Redentor, braços abertos sobre o mar de lama. E no fla-flu entre homem e natureza, quem leva a melhor?

Redução de IPI, cheiro de carro novo, as inacabáveis parcelas... em quantas parcelas dividiremos nossa auto-destruição?

Consumir, comprar, gastar, ter. Porque você não comprou aquele bote inflável da Ford? Ou aquele colete salva-vidas da Armani? E as parcelas te consumindo pelo resto da vida!

Rio, cidade desespero, a vida é boa mas só vive quem não tem medo. Favelas, vistas por Euclides, cobrindo os morros do sertão nordestino, favelas cobrindo os morros cariocas. Sob a terra seca de Canudos e sob a lama do Rio corpos, homens, mulheres, crianças, não carros. Qual a nossa parcela de culpa?

Só rio de novo e eu não rio mais. Meus sentimentos por ti, São Sebastião do Rio de Janeiro. Como diria o sebastianista Antônio Conselheiro: “Adeus povo, adeus árvores, adeus campos. Aceitai minha despedida.


p.s: Trechos poéticos gentilmente roubados de Gilberto Gil, Tom Jobim, Marcelo D2, Renato Teixeira e Xangai.

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