quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lost mudou sua vida

Lost mudou sua vida! Isso mesmo, você que desistiu de assistir (entender?) logo na segunda temporada , você que assistiu aquele episódio no meio da terceira temporada e não entendeu nada, você que nunca viu sequer um episódio. Se você vive no mundo globalizado (lendo esse texto na net, provavelmente sim) Lost mudou sua vida. Como, indaga o estimado internauta e também o internetense*. Lembra-se como era a TV seis anos atrás? E a internet? Em seis anos muita coisa mudou, não?

Em seis anos nos vimos inseridos num tal de mundo 2.0 sem saber sequer que existia o 1.0; ficamos atordoados ante as erupções, terremotos e demais fenômenos digitais causados pela internet, que traziam em seu rastro novos conceitos, muitas vezes tão fugazes que nem tínhamos (temos) tempo de absorver; vimos o surgimento de um tal Youtube; vimos a convergência digital tornar-se um fato; vimos os prenúncios apocalípticos sobre o fim da televisão, e seu renascimento antes mesmo de sua morte; vimos o surgimento das novas mídias; vimos que estamos perdidos, e até nos jogamos, no meio desse furacão de mudanças via satélite que atravessam o globo e chegam em nossas telas. Mas, ao contrário de pouco tempo atrás, não ficamos sentados assistindo, passivamente, demos uma sopradinha e impulsionamos o furacão.

Seis anos, o exato tempo dessa famigerada série. E em se tratando de Lost, seria incongruente, absurdo, dizer que isso é apenas uma mera coincidência (Locke concordaria comigo). Lost, e seu sucesso, não foram apenas consequência dessas pequenas(?) revoluções, foram, em grande parte, sua causa. Foram uma verdadeira turbina ligada no meio do furacão (não resisti ao trocadalho). Seis anos atrás a onipresente televisão reinava absoluta. Você tinha que esperar meses para uma série chegar ao Brasil, assistia sentadinho em seu sofá, discutia os acontecimentos com seu vizinho e seu colega de classe e pronto. Foi por essa época que os fãs de Lost passaram a pôr os episódios na internet logo após sua exibição oficial, enquanto outros traduziam e espalhavam por aí em dezenas de línguas. Os mesmos fãs que depois passaram a transmitir ao vivo (via web) para o mundo inteiro e que utilizaram de todas as ferramentas possíveis para trocarem informações e discutirem virtualmente. Também foi por essa época, há seis anos, que os produtores e diretores, antes até que os fãs (e provavelmente inspirando-os), perceberam quão brilhante poderia ser a comunhão das plataformas de mídia e trouxeram de vez a televisão para a internet.

Tudo isso, que hoje parece tão rotineiro, tem em grande peso as mãos dessa série. Basta lembrar das várias reportagens que usavam Lost para contextualizar as revoluções digitais que ocorriam em plena primeira década do século XXI, afirmando que a série seria a principal causa do fim da televisão, pelo menos como conhecíamos. A televisão não acabou (e nem vai, pelo menos por um bom longo tempo), como alguns mais afoitos esperavam, mas a integração entre ela e a internet é cada vez mais visível e fundamental – principalmente para a primeira, que deve sua sobrevivência a essa integração.

Em seis anos Lost ajudou o mundo do entretenimento, da comunicação, da informação, a construir pontes e integrar as ilhas que somos cada um de nós. Chegou a hora desse mundo andar com suas próprias pernas. Assim como Locke, que não acreditava em coincidências.


*Aquele que, mais que navega, vive no mundo da internet.



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