sexta-feira, 11 de junho de 2010

Contagem regressiva

11 de junho de 2010, Johanesburgo, África do Sul, tá chegando a hora. 32 seleções de todos os continentes, 736 jogadores, bilhões de espectadores, um fenômeno de mídia. Quando o juiz der a partida e a bola rolar no centro do gramado do Soccer City, entre os donos da casa e o México, terá início o maior espetáculo da Terra. Após quatro longos anos, será dada a largada para a 19° Copa do Mundo de Futebol.

Copa do Mundo, palco para apresentação de verdadeiros artistas. Cenário que consagra, que transforma homens em mitos, que transfigura meros mortais em semideuses. Tapete verde por onde desfilaram homens que encantaram o mundo, que assustaram, que alegraram, que escreveram, com mãos e pés, seus nomes na história. Pelé, Garrinha, Maradona, Di Estefano, Puskas, Cruyff, Beckenbauer, Lev Yashin, Ademir Menezes, Fontaine, Bobby Charlton, Müller, Platini, Rivellino, Tostão, Falcão, Dino Zoff, Eusébio, Zidane, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Taffarel, Gordon Banks...

Copa do Mundo é lugar onde os grandes são tantos que até os perdedores tem direito à glória. Como não ser louco pela Holanda vice-campeã de 74 ante a Alemanha? Como não bater palmas para o Brasil eliminado precocemente em 82 pela campeã Itália? É onde partidas viram batalhas, guerras declaradas, em que os rivais, frente a frente, lutam com todas as forças, traçam estratégias, atacam, recuam, cercam, entrincheiram. Quisera Jah que todos os conflitos mundo afora fossem resolvidos num campo de futebol, ao invés de no campo de guerra.

Copa do Mundo mexe com a gente. O gol é mais comemorado, o drible é mais bonito, a defesa do goleiro é mais fantástica, a bola na trave é mais angustiante, o apito final é mais festejado, ou mais sofrível. Todo mundo vira especialista, todo mundo dá pitaco, todo mundo veste camisa, todo mundo pára. Televisão vira objeto de adoração, verdadeiro altar no meio da sala. Até Eslovênia x Argélia se torna um programa interessantíssimo pro domingão.

Copa do Mundo é sim futebol, mas não é só isso. É a confraternização, a reunião em família, é o encontro com os amigos, o churrascão, a cerveja gelada, o grito, o choro, o abraço, a emoção, o orgulho, é bater no peito e dizer: “esse é meu país, porra!”, seja em qual língua for. É o cano de escape pra monotonia rotineira, é a casa pintada, o carro pintado, a rua pintada, você pintado!

Copa do Mundo na África. Berço da humanidade, berço da civilização, berço do ritmo, da alegria. Continente cobiçado, usurpado, massacrado, abandonado pelos homens e pelo criador. A África já perdeu muitas riquezas, já perdeu muito da sua fauna, da sua flora, mas não perdeu aquilo que lhe dá sustança, o que tem de melhor, o povo. Povo guerreiro, multiétnico, alegre, vibrante, destemido, assim como o futebol, assim como os grandes homens do futebol. A Copa não vai ser só futebol para os africanos. Vai ser a chance de unir um povo desigual, brancos e negros, ricos e pobres, a chance de mostrar para o mundo quão fundamental é seu continente, a chance de serem aplaudidos de pé pelo mundo.

Podem me criticar o quanto quiserem, mas eu não quero mais saber de eleição, de crise econômica, de aquecimento global, de urânio, de Faixa de Gaza ou da porra da faculdade. Durante 30 dias eu quero acordar futebol, dormir futebol, comer futebol, transpirar futebol, respirar futebol, viver futebol! Chegou a hora de o futebol reinar no mundo e de seus súditos se curvarem diante de seu poder.

Divirtam-se! E rumo ao hexa, Brasil!


Que a Copa lhes seja leve.

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